"O Hacker do Ser - A vida por um fio"
Para muitas pessoas, os complexos temas “Invasão de privacidade e Segurança” fogem às raias do virtual e são capazes de atingir o mundo real de forma tão estrondosa que, por vezes, assemelham-se à explosão de uma bomba de Hiroshima. Isso pode ocorrer no íntimo de cada um que passa horas diante das telas, expondo seus sentimentos.
Inicia-se aí o processo de uma integração “Ser/Máquina” tão intenso que mal se consegue decifrar o início de um e o término do outro. Esta face oculta da segurança virtual raramente é lembrada, embora atue como mola propulsora de danos que podem ser irreparáveis. Afinal, não é fácil colar pedaços fragilizados e reconstituir-se após sofrer invasões e contaminações da alma, para as quais nunca existirão vacinas.
Os dispositivos de acesso são os companheiros: uma parte de lazer, e um condutor de sentimentos e conhecimentos que atua diariamente em nossas vidas. A oportunidade de conhecer e relacionar-se com pessoas de diferentes lugares, ultrapassando a barreira tempo/espaço, por si só, é fascinante. Essa mesma rede, ampliada e ramificada por placas, cabos e sinais, percorre e conecta muito além de máquinas. Ela é capaz de unir e desunir vidas, compartilhar sentimentos, paixões, amores virtuais e reais.
Não há antivírus capaz de bloquear relações à exposições. Aí, a fragilidade se revela: esta falta de segurança permite que as pessoas venham a ter o seu interior invadido. Como “Cavalos de Troia”, quem detêm o “Programa cliente” domina aqueles que sem perceber, carregam dentro de si, um “Programa servidor”. As incursões são realizadas pelo “Sentimento alheio” e, alojando-se de forma imperceptível, acionam a tecla dos romances, penetram em vidas e nem sempre mostram suas verdadeiras identidades.
Os nomes falsos tornam-se a única referência em longas horas de convívio diário. Participam das tristezas e euforias de quem se sentem protegido por trás das “Telas vivas” e conseguem se expor, revelando com transparência seus temores e preocupações. Nas redes sociais, denota-se o que há de mais camuflado dentro das pessoas, talvez pelo fato de não se olhar diretamente nos olhos.
O mundo virtual contém muito mais do que bits e bytes, ele preserva a saudade de pessoas que já transcenderam o virtual e o próprio real; a frustração de relações que não deram certo e as esperanças de amores que se acreditam eternos.
Ao mesmo tempo que mantém amizades que se estreitam e se colocam em alicerces de confiança, a “Insegurança” aflora, revelando a camuflagem de identidades, intenções e personalidades.
Ele abriga uma ciranda onde tudo é possível e passível de realização. Conduz o internauta a conhecer e vivenciar as mais profundas e diversificadas sensações, sem nenhuma opção ou manual de autoproteção. Afinal, as empresas de segurança são incapazes de desenvolver um antivírus para este tipo de convívio, enquanto formos “Seres e não Máquinas”.
Laura de Freitas Dias - Jornalista